Como se planejar para uma vida centenária

Revolução da Longevidade tem promovido uma transformação global de diferentes maneiras, gerando impactos sociais e econômicos, alterando as sociedades e o mundo dos negócios. Em um cenário de profunda mudança, em certa medida acelerada pela pandemia da covid-19, o FDC Longevidade – projeto desenvolvido pela Fundação Dom Cabral e que conta com o apoio técnico da Hype50+ e patrocínio da Unimed-BH – se apresenta como uma plataforma de gestão pioneira na geração e disseminação de conhecimento qualificado e relevante, destinado a promover uma visão estratégica da temática no campo da educação executiva. O primeiro desdobramento da iniciativa é o Tredbook Pessoas, que reúne conteúdos exclusivos e cases inspiradores, que terão como desdobramento eventos mobilizadores de um ecossistema com real potencial para impulsionar a gestão em longevidade no Brasil.

TrendBook Pessoas, que integra o primeiro eixo do FDC Longevidade – conduzido por colaboradores e professores da FDC, além de especialistas da Hype50+ – será apresentado em 9 de setembro, às 14 horas, em um evento online gratuito. O mapeamento inédito com informações sobre o impacto da longevidade na vida das pessoas e tendências de futuro será detalhado e, posteriormente, disponibilizado para download grátis. As inscrições estão abertas e podem ser feitas pelo site https://bit.ly/fdc-longevidade-pessoas. O Estudo contou com o apoio do Núcleo de Desenvolvimento de Pessoas e Liderança da FDC.

Segundo Antonio Batista da Silva Junior, presidente-executivo da Fundação Dom Cabral, o envelhecimento populacional foi identificado pela Organização das Nações Unidas (ONU) como uma das quatro megatendências para o século XXI, indicando que o Brasil deve ocupar a sexta posição do ranking, em 2050, dos países com maior número de pessoas com mais de 60 anos. “A Revolução da Longevidade – considerada uma das maiores conquistas da humanidade – traz esperança de tempos melhores ao apresentar transformações socioeconômicas e médicas; em contrapartida, o momento carrega desafios de diferentes tipos para a sociedade. Devemos preparar as escolas, os negócios, as organizações e, sobretudo, as pessoas para o aumento da expectativa de vida. É uma tarefa dos que buscam a construção de uma nação economicamente próspera e socialmente justa e inclusiva”, afirma.

Antonio Batista acrescenta que, como uma das principais escolas de negócios do Brasil, a FDC tem o compromisso ético de contribuir com o desenvolvimento sustentável da sociedade, portanto, tem investido esforços para jogar luz sobre a temática da longevidade. “Temos gerado e disseminado conhecimento relevante, articulando atores e saberes para impulsionar a dinâmica social e econômica diante desse fenômeno demográfico. O projeto FDC Longevidade expressa a nossa convicção de que essa é a hora de ampliar as reflexões e as práticas organizacionais e individuais para esse fenômeno mundial”, revela.

Na análise de Samuel Flam, diretor-presidente da Unimed-BH, embora tenha se tornado um costume dizer que o mundo mudou e que a vida não é mais como antes, esse discurso é automático, uma narrativa que carece de reflexão sobre as reais mudanças. A forma como vivemos, trabalhamos, viajamos, nos comunicamos, nos relacionamos, lidamos como as evoluções tecnológicas e forma como buscamos experiências culturais e estéticas tem se alterado de maneira muito acelerada – sobretudo nesse momento de pandemia. Mas, a principal transformação que estamos vivenciando é a demográfica.

“A longevidade chegou para ressignificar a forma como vemos a realidade. Hoje, não estamos apenas vivendo mais, como estamos vivendo com qualidade, mantendo a produtividade e cultivando hábitos saudáveis. Como uma empresa de saúde, a Unimed-BH está atenta a esse cenário e vem contribuindo, há quase 50 anos, para promover mais saúde e qualidade de vida para a população com mais de 60 anos. Nossa vocação e propósito sempre foi cuidar das pessoas. Por isso, o envolvimento e contribuição nesse projeto que tem objetivo de colocar a longevidade em perspectiva. Conhecer melhor essa geração – da qual faço parte – é fundamental para que possamos, dentro do que é possível, projetar o amanhã. Estamos certos de que esta pesquisa traduz o espírito de nosso tempo e servirá como importante insumo para o futuro”, finaliza.

Caminhos que apontam para o equilíbrio

A professora associada da Fundação Dom Cabral e coordenadora do projeto, Michelle Queiroz Coelho, destaca: “Identificamos em outras escolas de negócio do mundo e em alguns casos pontuais no Brasil que o tema, quando abordado, era tratado ainda de forma segmentada. Assim, o FDC Longevidade é lançado com o pioneirismo de democratizar conhecimento em gestão integrando pessoas, negócios e sociedade, o que traz a perspectiva de uma visão mais equilibrada sobre o tema”, afirma.

Segundo Michelle, os caminhos de cada eixo procuram contribuir para um olhar mais inteiro sobre longevidade. No eixo Pessoas, o questionamento sobre como nos preparamos pessoalmente para a construção da longevidade ao longo da vida; como a gestão de pessoas é impactada pela diversidade geracional; quem é o profissional maduro e como o trabalho já está sendo afetado por todo esse universo. No eixo Negócios, o detalhamento do que é a Economia da Longevidade; quais oportunidades temos de empreender, pensar em novos produtos e serviços, inovando neste oceano de possibilidades; e quem é o consumidor maduro e como podermos ser mais assertivos na comunicação. No eixo Sociedade, a temática envolve qual é o impacto social desta revolução; e quem são os atores e organizações que fomentam soluções para os desafios postos em tantos campos como saúde, educação, entre outros.

Qual é o melhor futuro que podemos ter? Esse questionamento, segundo Layla Vallias – especialista em Economia Prateada, cofundadora da Hype50+ e Janno, coordenadora do estudo Tsunami Prateado (maior mapeamento brasileiro sobre longevidade) – norteou a condução do projeto FDC Longevidade e a definição dos eixos Pessoas, Sociedade e Negócios, que serão detalhados em três TrendBooks. “Na percepção dos realizadores desse projeto, não há dúvida que ter um futuro com qualidade de vida é o grande desejo que ancora qualquer outro sonho ou projeto de vida. Essa visão justifica a urgência que temos, como sociedade, de produzir conteúdo qualificado para oxigenar pautas e dar suporte à novos diálogos sobre a longevidade. A prática da inovação, empreendedorismo e pesquisa nos traz o desafio de colocar a temática na agenda das grandes marcas, indústrias, governos e gestores dessa revolução que estamos vivendo – e que, de fato, nos obriga a revisar conceitos, quebrar padrões e discutir tabus. A longevidade é um oceano azul no qual reside inúmeras oportunidades para o futuro”, avalia Layla.

A estudiosa de mercados voltados para a população 50+, aponta que envelhecer é uma novidade para a humanidade. “Por mais que a frase possa remeter a uma contradição, estamos vivendo mais do que o esperado; encontrando desafios nunca enfrentados e mudando paradigmas antigos sobre a idade. Entretanto, poucos querem falar sobre o tema. Estamos focados na beleza da juventude e pouco preocupados com a riqueza que reside na sabedoria do tempo de vida. É necessário mudar o mindset e dar luz às pessoas que passaram dos 60, 70, 80, 90, 100, 110 anos. São elas que vão nos ensinar sobre os hábitos, desejos e o mercado emergente que está se formando para uma população cada vez mais longeva. O futuro é velho. E essa visão do amanhã motivou a elaboração desse projeto audacioso, que é só o início de uma jornada de estudos”, detalha Layla. 

O conteúdo que integra o primeiro eixo do projeto FDC Longevidade – TrendBook Pessoas – conta com as seguintes análises:

|NOVOS PLANOS DE VIDA: cenário; planejamento pessoal para a longevidade (repensando o curso de vida, envelhecimento ativo, dos 20 aos 120, gestão pessoal no mundo das atividades, lifelong learning, inspirações); e gestão financeira (redesenhando o futuro para o bem-estar financeiro, tendências jovem: investimentos para a aposentadoria, novos paradigmas).

|TRABALHO E LONGEVIDADE: cenário (extensão da vida e novo mercado de trabalho, a vez dos maduros); novos profissionais (oportunidades, empresas apostam na contratação de maduros, os oito profissionais que vão gerenciar a longevidade e a diversidade etária nas empresas, perfil dos profissionais com mais de 50 anos.

|EXPERIÊNCIA DE MERCADO: cenário (diversidade etária) e modelos intergeracionais.

Nina Machado

Jornalista, especialista em marketing digital e gestão de pessoas trocou o mundo corporativo em busca de uma vida mais conectada com seu propósito. Em 2019 criou o projeto Ficar Bem aos 40 para abordar assuntos do universo feminino 35+. Além disso, é co-editora do Corra Mais e repórter do Inova Mais, ambas editorias do portal RIC Mais.

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